A cortina de fumaça da segurança na USP

A detenção de três estudantes da Faculdade de Filosofia da USP que fumavam maconha gerou protestos que terminaram num conflito com a polícia militar e a subsequente ocupação da administração da faculdade e do prédio da reitoria. Esse episódio soma-se a outros ocorridos nos últimos anos que envolveram piquetes, a ocupação de prédios administrativos e a atuação repressiva da polícia militar. Em todos os casos, um acalorado debate opôs defensores da atuação (mais ou menos rigorosa) da polícia e defensores da autonomia universitária (que limitaria ou impediria a atuação policial no campus). Acredito, no entanto, que os termos do debate estão mal-colocados e a questão de fundo relevante, completamente ausente.

liberdades individuais

O primeiro mal-entendido a desfazer é que não há objeção, que eu conheça, à atuação limitada e específica da polícia para reprimir crimes comuns, como assaltos a banco. Tanto não há objeção que antes do recente convênio firmado entre a reitoria e a polícia militar, ela já atuava nesses casos, sem que tivesse surgido qualquer tipo de protesto.

Todo problema começa quando ela começa a atuar de maneira abusiva no cotidiano deste espaço que é o lugar por excelência da liberdade de expressão e discussão. Para que essa alegação não pareça abstrata, gostaria de dar dois depoimentos e fazer referência a um terceiro. Os meus dois depoimentos são do ano 2006, quando a administração da minha unidade (a Escola de Artes, Ciências e Humanidades) decidiu instalar um posto da PM dentro do campus. Naqueles meses que se seguiram à decisão, testemunhei dois episódios que ilustram o despreparo da força policial para atuar no ambiente universitário (na verdade, demonstram seu despreparo para atuar numa sociedade democrática).

O primeiro, aconteceu com um estudante do meu curso, negro. No final da aula, ele saiu para o estacionamento e notou que tinha esquecido o celular. Quando voltou para a sala para buscá-lo foi abordado por um policial. Ele se identificou, apresentando a carteira de estudante e explicou que voltava para buscar o celular. O policial considerou-o suspeito porque caminhava no sentido contrário dos outros estudantes (e talvez também porque era negro e estava na USP) e, por isso, foi submetido a uma vexatória revista na frente dos colegas. O segundo fato, foi a ação de uma policial feminina que deteve duas estudantes homossexuais que se beijavam na hora do intervalo por “atentado ao pudor”. Note que esses são episódios testemunhados por um só professor, num período de poucos meses, pois, com a repercussão destes e outros casos, o posto da PM foi transferido para fora do campus. O que acontecerá com a presença massiva de policiais com esse tipo formação atuando de maneira permanente? Uma amostra do que está por vir aparece nos relatos de estudantes da Faculdade de Filosofia que reclamam de operações nas quais se abordam e revistam dezenas de estudantes que entram ou saem do prédio para ir às aulas.

É esse tipo de atuação da polícia, abusiva e lesiva de direitos que gera protestos. Não faz qualquer sentido discutir a atuação da PM no campus universitário fora deste tipo de caso. A polícia nunca foi impedida de agir no campus para coibir crimes comuns. O que havia, era um acordo para que a proteção do patrimônio fosse feita predominantemente pela guarda universitária e que a polícia não atuasse ostensivamente, por exemplo, fazendo abordagens individuais não motivadas por fatos concretos. Foi essa acordada limitação da atuação policial que se reviu, a pedido do reitor, após a comoção gerada pelo morte de um estudante durante um roubo de veículo.

liberdades políticas

Mas o elemento importante, ausente no debate, é a ameaça de uso da força policial para reprimir o movimento estudantil e o movimento sindical. Permitam-me uma breve digressão para argumentar como as duas coisas se juntam.

Maquiavel, teórico da política, defendia numa obra famosa (os Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio) que a causa da intensa e fratricida violência política da cidade de Florença era a não institucionalização dos seus conflitos. Em Florença, dizia Maquiavel, cada partido (os guelfos e os gibelinos, os negros e os brancos, os nobres e o povo) consolidava a vitória com a expulsão do partido adversário da vida política da cidade – de maneira que só restava ao grupo derrotado atuar de fora do jogo político estabelecido, preparando um golpe de estado. O resultado era uma vida política violenta e sanguinária, sem estabilidade política e sem paz interna.

Guardadas as grandes diferenças de contexto histórico, essa é uma excelente explicação para a conturbada vida política da Universidade de São Paulo. Ao contrário das outras grandes universidades públicas, como a Unicamp ou as federais do Rio, Minas e Rio Grande do Sul, a gestão da USP é incrivelmente não democrática, o que, com os anos, empurrou todos os setores não alinhados com o grupo no poder para ação extra-institucional – simplesmente por falta de opção. As eleições para reitor na USP são definidas por um colegiado de apenas cem pessoas – dessas, há um representante dos professores doutores (que compõem a maioria dos docentes), quatorze representantes dos estudantes e apenas três dos funcionários. Os demais são representantes dos órgãos de direção que, com poucas exceções, se autoperpetuam no poder. Todas as comissões estatutárias são compostas pelas mesmas vinte ou trinta pessoas que se alternam nas diferentes funções há pelo menos duas décadas. É um jogo marcado, viciado e sem qualquer espaço para que a comunidade de oitenta mil alunos, quinze mil funcionários e cinco mil professores consiga se manifestar ou influir efetivamente nas decisões. Essa forma institucional excludente e arcaica empurrou as forças políticas para atuar por meio de greves, piquetes e ocupações de prédios, já que simplesmente não têm outra maneira efetiva de atuar.

Para complicar ainda mais a situação, nem mesmo esses injustos procedimentos de eleição de reitor foram honrados, já que na última eleição o governador escolheu o segundo colocado na lista tríplice. E esse segundo colocado, o reitor João Grandino Rodas, tem tido uma gestão fortemente confrontativa, impondo decisões injustas e ameaçando a dissidência com o uso de força policial. Quando ainda era apenas diretor da Faculdade de Direito, o atual reitor usou a força policial para expulsar o MST do prédio da faculdade e, noutra ocasião, fechou o prédio e suspendeu as aulas para impedir que uma passeata de estudantes entrasse no edifício. Ele também foi o principal articulador da entrada da polícia no campus para desocupar a reitoria em 2009, o que resultou numa abusiva ação policial que feriu professores e estudantes. Pois é exatamente este reitor que está agora autorizando a atuação ilimitada da polícia no campus o que, dado o seu histórico, não pode deixar de ser visto como uma ameaça do uso deste contingente para reprimir as únicas formas efetivas de atuação política do movimento estudantil e dos sindicatos.

A atuação da polícia no campus da USP não é um problema sobre como adequadamente combater crimes comuns – é um problema sobre liberdades individuais e sobre a organização política da instituição. A única solução para a conturbada vida política da universidade é a democracia. O resto é apenas cortina de fumaça.

38 Responses to “A cortina de fumaça da segurança na USP”

  1. Rafael Says:

    Creio que o preconceito é seu, ao supor que a causa pelo qual seu colega foi parado pela polícia é o fato de ser negro.

    Además, o simples fato de uma revista está longe de significar abuso.

    Tãopouco pode-se afirmar que fumar maconha é um ato político ou que tenha a ver com liberdade de expressão, como aparentemente você tenta relacionar.

    Ao cumprir uma ordem de reintegração de posse, Rodas deveria ser visto como herói.

    Finalmente, as únicas entidades que reprimem opiniões políticas no Campus são o DCE e o SINTUSP. Prova disso virá em reposta a esse comentário.

  2. Fabio Takeo Sato Says:

    Eu sou japonês e já fui revistado fora da USP. Creio que você parte do pressuposto que aluno da USP passar por revista é algo absurdo. Caso seja suspeito, tem mais que revistar. Mesmo que seja você o suspeito ou eu.

  3. Douglas Says:

    Rafael, você simplesmente inverteu o argumento do autor do texto contra ele, e disse, provavelmente, assim como, entre tantos alunos, este apenas foi parado, e era negro, provavelmente, é por este motivo.

    Uma revista simples. O que chama de revista simples ? Porquê os estudantes devem ser revistados em amostragem, quando nada disso diz respeito ao caso do estudante Felipe.

    Normalmente, a revista é sob fundada suspeita. Qual a fundada suspeita que cabe sobre os estudantes ? É claro uma pessoa de opiniões conservadoras recairá contra os estudantes por induzir a eles esta suspeita, digamos, natural. Todos são ou suspeitos de consumir maconha, ou ainda. Suponha que o estudante foi abordado não por ser negro, mas por andar do lado errado, isso dá margem a uma fundada suspeita ?

    Serve como excelente metáfora.

    O texto cita algum caso sobre maconha, exceto o fato de toda comunicação se centrar sobre o caso da FFLCH ? Não, apenas no seu comentário por, provavelmente, partilhar do empenho da cortina de fumaça, isto é, não discutir o óbvio. Porquê antes da polícia, não há iluminação, guarda, etc.

    Herói de quem ? Você partiu no mesmo texto para três ataques, primeiro, o de preconceito com o autor sobre a polícia, para você digna de crédito e, para isso, não trata de uma questão que você concordaria e que é polêmica, o do caso das estudantes de beijando.
    Segundo associou o caso com a polêmica fácil da FFLCH, que aconteceu após um dia de batidas constatnes nos prédios da FFLCH e sim, todos consideraram um abuso, mesmo quem não consome porta ou trata sobre entorpecentes.
    Sua terceira acusação foi sobre a repressão a opiniões adversas, que você quis provocar com empenho. Provocando, que é o que direitistas fazem nestas horas. O que o autor trata como cortina de fumaça, e é isso que faz.

  4. Elena Says:

    Olá, Rafael.

    Eu não sou do DCE e nem do SINTUSP. Para falar a verdade, não sou nem aluna da USP. Vou aproveitar que não me encaixo nos perfis que você enunciou como repressores e responder adequadamente ao seu comentário.

    Acusar de preconceituoso aquele que, diferentemente de outros, não prefere ignorar aspectos da realidade como o preconceito já está fora de moda. Na época em que os dois casos aconteceram, eu estudava na USP e recebi um email do aluno negro que foi revistado. O fato de as pessoas caracterizarem como preconceituoso o tratamento oferecido a ele pelo policial vem da própria declaração do aluno, que se sentiu extremamente ofendido e decidiu manifestar-se quanto a isso. Acho que cabe a ele decidir se foi alvo de preconceito e, quanto a isso, imagino que não seja o caso de você julgar a motivação de um ato cujos desdobramentos desconhece.

    Outra coisa: você já foi revistado? Eu nunca fui e não posso afirmar como me sentiria, mas imagino que exista muito incômodo envolvido numa revista, não física mas subjetivamente. Se eu estudasse em um ambiente em que houvesse a possibilidade latente de ser revistada, muitas vezes preferiria ficar em casa.

    Sobre o Rodas ser um herói, me contento a comentar que não, ele não é.

    O que mais se discute é que há várias questões a serem postas em foco, sejam elas a presença da PM na USP, sua real utilidade num ambiente universitário, a ausência de investimento na infra-estrutura da USP (incluindo aí iluminação, guarda civil universitária e ônibus circulares) etc. Recomendo que você se atenha a isso quando for responder a um artigo clarificador e contundente como o acima ao invés de se preocupar em responder a coisas pontuais que desviam dos problemas reais que causaram todo esse movimento.

    Elena

  5. Marcelo Says:

    Quem é esse Rafael Says de um dos comentários? Parece capanga com diploma do Doutor Rodas.

  6. Andre Assada Says:

    O comentário do Rafael começa por uma falácia “ad hominem” ou “tu quoque” – bastante retórico mas em nada lógico ou argumentativo. Toma literalmente e isoladamente uma parte do texto, sem considerar a estrutura argumentativa do texto em que esta parte está inserida, e tenta usá-la para acusar o adversário de praticar algo que ele critica. Bastante fraco.

    Prossegue novamente tomando parte do texto de forma isolada, agora tirando a revista policial do contexto em que ela estava sendo utilizada no texto. Não é uma “simples revista” como o Rafael quer fazer crer, mas está claramente inserida num comentário sobre ações de fundo vexatório e do pouco preparo do policial para atuar em um ambiente universitário. No contexto em que o texto a coloca, da abordagem não justificada, a revista constituiu sim um tipo de assédio moral.

    A falácia na terceira afirmação chega a ser surreal. Desconsiderando o bizarro e inexistente advérbio de negação utilizado por ele, começa partindo da velha pressuposição mentirosa de que a discussão se reduz à questão da legalidade do uso de maconha. Dentro desta ingênua visão sobre a questão – que nunca esteve presente no texto e foi introduzida por ele mesmo, “ex nihilo” – o Rafael tenta sugerir que o texto do Prof. Ortellado é uma defesa do uso da maconha, afirmando ser contra uma suposta posição tomada pelo texto de que “fumar maconha é um ato político”. Se a distorção e falta de argumentos não estava clara nas duas primeiras frases do rapaz, aqui ficou bastante evidente, já que o texto vai exatamente contra esse reducionismo absurdo. Ora, qualquer um que tenha lido com o mínimo de atenção o texto, vê que ele aponta exatamente para uma necessidade de clarificação dos argumentos e de discussão que não caia num debate bipolar mal colocado e que não fuja do cerne da questão: liberdades e organização política institucional, como já anuncia o parágrafo de introdução e também conclui o parágrafo final! Isso é estrutura dissertativa básica, que o Rafael tenta ingenuamente distorçer. Acho que alguns até poderiam denominar essa distorção como “calúnia”.

    A apoteose lógica do garoto ocorre em seguida:
    “Ao cumprir uma ordem de reintegração de posse, Rodas deveria ser visto como herói.”
    Caramba, não sabia que o Reitor era na verdade o Chuck Norris! Realmente, um herói, por ter expulsado sozinho, com suas unhas e dentes – no melhor estilo filme do Rambo – todos aqueles estudantes extremamente perigosos, munidos de livros, contestação e irreverência!
    Bom, cabe aqui esclarecer ao Rafael que quem solicitou o mandato de reintegração foi o reitor, mas quem cumpriu a ordem foi a polícia.
    Mas enfim, ao contrário dele não vou reduzir sua afirmação a uma caricatura (falácia do espantalho), mas sim argumentar sendo fiel àquilo que ele afirma. Pergunto: o fato de um movimento que gera discussão, que leva as pessoas a debaterem um assunto tão urgente quanto a organização de poder na usp e sua atuação na sociedade, ser desarticulado pelas vias da força física, resultando no silêncio e conivência, é um ato heróico? Acho que nem num mundo esquizofrênico, ou num mundo como aquele que temia Huxley, essa afirmação seria logicamente aceitável.

    Por fim, passando da calúnia para a difamação, o Rafael tenta fazer entender que os comentários que viriam em seguia ao dele, refutando suas afirmações, estariam todos ligados ao DCE e ao SINTUSP.
    Ora, eu assino o meu comentário com meu nome e sobrenome, ao contrário do Rafael. Quem quiser, pode verificar que não sou ligado a nenhum desses dois órgãos, aliás, procuro não me ligar a instituição alguma.

    Por fim: Em um ponto pelo menos eu concordo com o Rafael, em sua crítica a CERTAS atitudes de PARTE do movimento estudantil que também são repressivas. Mas NUNCA na caricatura que ele tenta traçar. Como exemplo, cito a ação de PARCELA do DCE na assembléia de ontem, que ao impor decisões que não foram acordadas pela maioria, se caracteriza como ilegítima e repressiva.
    Mas é exatamente a discussão fora destas caricaturizações que eu acredito ser aquilo que o texto do Prof. Ortellado defende!
    “A atuação da polícia no campus da USP não é um problema sobre como adequadamente combater crimes comuns – é um problema sobre liberdades individuais e sobre a organização política da instituição. A única solução para a conturbada vida política da universidade é a democracia. O resto é apenas cortina de fumaça.”

  7. Mateus Toledo Says:

    “A polícia nunca foi impedida de agir no campus para coibir crimes comuns.”
    Ao que o Rodas poderia responder:
    De fato, nunca foi.
    O convênio implica, apenas, em uma presença mais ostensiva da PM no campus. E, de acordo com as “estatísticas”, a criminalidade diminuiu depois do convênio.
    Os abusos são lamentáveis devem ser investigados e julgados pelas autoridades competentes.

    Pablo, achei seu artigo a melhor coisa que li a respeito.
    Temos que inserir esse problema dentro das discussões sobre uma maior democratização da universidade.
    É a via por onde temos mais força.
    Mas ainda me sobram algumas inseguranças. De modo sucinto:
    (1) Como lidar com o argumento de que a limitação da ação da polícia no campus (que vem sido revertida pelo Rodas) fere a isonomia.

    (2) O que fazer com a opinião da maioria da comunidade acadêmica, que parece ser favorável ao convênio. (Isso pra não falar da opinião pública em geral, que também me parece ser a favor da PM no campus.)
    {dados a conferir…}

    Tomara que seu artigo tenha ressonância no movimento. Estava na FFLCH no momento do confronto com a policia e participei da ocupação do prédio da administração da FFLCH.

    O argumento da imensa maioria dos estudantes não é mitigado como o seu. O que circula é “fora PM do campus”, pra não dizer fora qualquer tipo de polícia da face da terra.
    Acho que seu artigo coloca as coisas no lugar.
    Embora talvez fosse mesmo desejável uma sociedade sem polícia, é inócuo e sem sentido esse tipo de pauta na nossa situação.

  8. jose silva Says:

    acho que a cortina de fumaça é justamente o oposto. a se sentir incomodados pela presença da policia, passaram a usar a argumentação de “policiamento político”. Ora, o fato de duas pessoas do mesmo sexo se beijando ser interpretado como “atentado ao pudor” ou um negro ser abordado por policias não está restrito a USP e é um problema nacional. Por que somente no feudo USP isso afetou os estudantes? Outra coisa: movimentos estudantis e sindicatos? O senhor que escreveu outro texto vive nos anos 70? O movimento estudantil hoje não existe e os sindicatos fazem o que querem a MUITO tempo. Os estudantes terão que fazer muita força pra convencer a classe média paulistana de que algo de produtivo é feito nos “movimentos estudantis” e que a policia é um problema para os estudantes.

    resumo: mais subversão e menos petismo para nossos estudantes. Não se vendam agora, pois o Brasil precisam de vocês, mas do que o “partido”

  9. Armando Manoel Says:

    Respondendo à José Silva. Caro, não foi simplesmente com esse fato que os estudantes da Usp recorreram ao seu suposto “policiamento político”, tal conceito, se é que ele existe, é tema de diversos estudos e pesquisas científicas geradas e geridas justamente ali, na Usp, enquanto pólo intelectual de pesquisas sociais e humanas. Não houve uma inversão, como vc diz, mas sim uma percepção crítica dessa cortina de fumaça nos últimos dias, coisa no mínimo coerente e condizente com esse espaço onde se propõe justamente a discussão científica dos diversos temas críticos existentes na sociedade, e de tantos outros afins.
    Claro que o fato dessa interpretação sobre o que é atentado ao pudor, ou racismo, por parte de varios setores envolvidos, é um grande problema nacional, que concerne à, e acontece em, toda sociedade brasileira, mas se há algum lugar em que esses assuntos são científica e históricamente analisados e estudados é nas universidades! Ora, se um espaço/massa universitário se pretende um acúmulador do debate, é coerente, novamente, que esse espaço/massa universitário assuma posições esclarecidas sobre esses assuntos, não discordo quando a Usp, em termos, se apresenta como um feudo, mas neste caso tivemos acontecimentos críticos aà toda sociedade acontecendo frente ao espaço/massa que se prôpoe por excelência à criticar e debater cientificamente os atores, os valores, os atos e fatos que estavam ali envolvidos! Se o ME estava a princípio “morto” ele teve ali uma sobrevida, e uma sobrevida aos moldes que lhe são tangíveis, novamente cito o debate crítico cientifico e a agitação política radical, dentro dessa nossas sociedade apática e aversa à prática política. E meu caro, apareça na Usp nos dias de hj, perceberás como isso que vc chama de anos 70 talvez não se reflita mais em nossos calendários, mas os acontecimentos dos últimos dias deixaram bem claro às proximidades entre a política que é ali praticada, inclusive o regimento da Usp data de 1972, é ainda o mesmo, e foi editado pelo mesmo autor do AI-5, mera citação documental aqui.
    Respondo aqui como, acho pertinente esclarecer, um estudante autonômo, independente e livre, inclusive de ligações partidárias, e extremamente comprometido com a universidade pública.

  10. Bruno Says:

    Achar que revista é normal significa pressupor que todos os cidadãos devem ser tratados como bandidos.

  11. A cortina de fumaça da segurança na USP | Spresso SP Says:

    […] Publicado originalmente no Gpopai. […]

  12. Alex Says:

    Só para esclarecer um ponto que a mídia está escondendo:
    Estudantes da FFLCH tinham marcado uma reunião para discutir a presença da PM no campus (inclusive havia cartazes colados em vários pontos de ônibus) e exatamente neste dia policiais se dirigiram à FFLCH para fazer revistas nos estudantes.
    Dado que esta foi a primeira vez que eles tiveram esta postura de entrar em um instituto para fazer revistas, é bem ingênuo não achar que a intenção era impedir a discussão.

  13. José Pereira Says:

    Esse é o espaço político que a franja de esquerda conseguiu para se colocar na mídia. Lamentável. Fora isso, como colocaria suas “teses” à sociedade, sobretudo aos trabalhadores? O mais lamentável é que ainda existe uma narcosubintelectualidade nanica que tenta argumentar com propostas imbecis e velhas. Acordem, a fila andou na história, Lênin é passado, a ditadura de 64 acabou, já tivemos as “Diretas Já”. Chega de berros pequenos-burgueses. Os trabalhadores nem sabem que existem uns tais “trabaliadores”.

  14. Polícia no campus: é um problema sobre liberdades individuais e sobre a organização política da instituição | Maria Frô Says:

    […] Pablo Ortellado […]

  15. Trabalhador Says:

    Toda essa bagunça por causa de três maconheiros presos. Crime é crime, e ainda querem protestar? Vão aprender a votar primeiro. Esta revolta estudantil atual, nem de perto lembra o conteúdo de revoltas de outrora.

  16. My Blog Says:

    […] Pablo Ortellado […]

  17. Problemas na USP, qual o problema? « My Blog Says:

    […] Pablo Ortellado […]

  18. Bruno Bicalho Says:

    “Creio que o preconceito é seu, ao supor que a causa pelo qual seu colega foi parado pela polícia é o fato de ser negro.”

    Sugere então que é bobagem e que de fato a história do racismo e perseguição acentuada a negros é uma farsa de golpistas de esquerda? E Pablo Ortellado não é colega do estudante de Gestão de Políticas Públicas na EACH, é senão Professor do mesmo.

    “Además, o simples fato de uma revista está longe de significar abuso.”

    Además, o complexo fato de uma revista exprime um exacerbado abuso daqueles que usam da falta de direitos para acusar sem concreticidade alguma qualquer um que lhes sejam suspeitos.

    “Tão pouco pode-se afirmar que fumar maconha é um ato político ou que tenha a ver com liberdade de expressão, como aparentemente você tenta relacionar.”

    Ser político é conciliar ou decidir sobre conflitos, o fato de fazer decidir tomar partido frente esses conflitos, esclarecidamente ou não, já o faz ser um ato político. Até mesmo a omissão o é.

    “Ao cumprir uma ordem de reintegração de posse, Rodas deveria ser visto como herói.”
    E assim o é, mas para uns com projeto político anti-democrático, privatista, elitista… sendo um vilão para os demais. Ao cumprir uma ordem de reintegração de posse Rodas cumpre sua agenda de repressão aos movimentos que contestam o poder da burocracia do CO USPiano.

    “Finalmente, as únicas entidades que reprimem opiniões políticas no Campus são o DCE e o SINTUSP. Prova disso virá em reposta a esse comentário.”

    Claro, e viva a democracia de farda! Todo apoio a gestão democrática e participativa da Reitoria e do modelo de democracia deliberativa implementada nos amplos fóruns de discussão internos da USP. E torna-se super colaborativa para a discussão a participação do governo estadual através da Coordenação de Ensino Superior, criada em 2007 como Secretaria, que (cof, cof) não tem intervenção alguma dentro das três estaduais paulistas e tende a garantir sua mais ampla autonomia. *ironia dando bom dia

    Ex-aluno da USP

  19. Pedro Says:

    Texto equivocado. Os objetivos políticos são legítimos, mas foi justamente a repressão a crime comum que desencadeou esta hecatombe. E invasão de patrimônio público é crime, não é legítimo como forma de luta, esta deve ser empreendida dentro da lei. Greve, por exemplo, é um direito garantido pela carta magna.

  20. Bruno Medeiros Says:

    Bom texto no meio desse mar de insanidade. E gostei do comentário do Mateus.
    E do tratado de filosofia do Andre. Tem até latim, parabéns! Autoridade é sempre um ótimo tempero em um texto pra se esculhambar alguém.

    Mas já que estamos no bar dos ex-alunos, eu quero minha cervejinha e comentar também.

    1 – “O primeiro mal-entendido a desfazer é que não há objeção, que eu conheça, à atuação limitada e específica da polícia para reprimir crimes comuns, como assaltos a banco”
    O professor precisa conversar um pouco mais com aqueles que defende. Essa objeção existe sim. Alguém se arrisca a fazer uma pesquisa dentro da reitoria agora e testar?

    2 – E os dois casos relatados no texto são de fato reprováveis. Minha memória é meio ruim, mas pelo menos o das meninas eu lembro de ter sido inclusive divulgado na imprensa. As ondas de protestos poderiam ter começado por causa delas, por causa do rapaz negro, por causa da repressão aos trabalhadores que o Souto Maior citou no texto dele. Mas aparentemente tem certas coisas que mobilizam mais o movimento do que tudo isso. Triste.

    3 – Se a história do Maquiavel se aplica nesse caso, então tem algo muito errado com o movimento estudantil. Todo mundo que conhece de perto conhece os grupos ultra-radicalizados que desobedecem sistematicamente a vontade da maioria do movimento se isso lhes convém. E os grupos menos radicalizados costumavam aplicar a fraude anual nas eleições pra DCE, pelo menos até quando desisti de prestar atenção nisso. A radicalização não é só contra a reitoria, mas contra os próprios fóruns estudantis.

    Ex-aluno também. Alguém que estuda de verdade pode comentar?

  21. Dasf Says:

    DIFICILMENTE ENCONTRAREI ALGUEM DEFENDENDO O QUE É CERTO POIS TODOS ASSISTIRAM A GLOBO.

  22. Daniel Says:

    Dúvido que um estudante sério e preocupado em se formar tenha tempo de ocupar prédio e fazer baderna.
    Esses folgadinhos esquecem que quem mantém isso tudo é o dinheiro público, e que o contribuinte vai pagar o conserto de tudo que foi detruído e o semestre adicional que eles vão ficar por ter ficado de DP. Dinheiro que já poderia começar a ser investido no aluno do ano seguinte.
    É fácil fazer bagunça quando não se paga a mensalidade.

  23. Cid Oliveira Says:

    Caro Pablo, fiz questão de ler todo o seu texto e vou resumir o comentario:
    Porque ao invés de Depredar o patrimônio publico, fazer protesto para a saída da PM e citar fatos isolados e sem fundamento como revistar um negro, ou duas lésbicas se pegando vocês não fazem o seguinte:
    Organizem um protesto para a saída do tal reitor e por mudanças no sistema de gestão da USP, sem quebrar nada, e com fundamento, e não essa palhaçada sem sentido que esta acontecendo, todos os envolvidos neste episodio deveriam ser expulsos…

  24. Camila Says:

    sério… pq esse pessoal “engajado” utiliza esse “jurisdiques” nesse tipo de discussao? pra oprimir aqueles que não fizeram cursos de humanas e não entendem essa linguagem? como querem criar um ambiente de debate na universidade se eles não conseguem se comunicar com os universitários? nem todo mundo fez latim, nem td mundo é obrigada a saber o que é “ad hominem” ou “tu quoque” e vc não parece mais inteligente qnd utiliza esses termos.

  25. Paulo Lellis Says:

    Lamentável que as pessoas não percebam que a causa da corrupção e degradação constante de nossos sistemas são os mecanismos de auto-perpetuação de poder, como o implantado na USP e em tantas outras casas nacionais.

    Esses mecanismos, assim como a própria estrutura dos trIes poderes são a causa da corrupção, que por sua vez conduz à opressão, que conduz à empatia, que conduz à raiva e à violência. É o mesmo problema se repetindo e se repetindo, ecoando por todos os sistemas brasileiros.

    Mas NÃO é normal ser revistado, não vou concordar com isso nunca, a menos que se haja uma denúncia, suspeita ou qualquer outro fato REAL por trás do fato. Se não entendermos e respeitarmos a noção que esse é um direito inviolável, não estaremos aptos a evoluir socialmente.

    Estou só esperando as notícias sobre a privatização da USP começarem a aparecer. A pena é que vai ter o apoio automático de 90% das pessoas por este contexto, a mesma maioria que está julgando a USP como “a casa dos riquinhos maconheiros”, a mesma que vai abençoar a ruptura quando ela for anunciada. O todo, mais uma vez perde.

    As pessoas em sua grande maioria apoiaram e tem muita inveja do estilo de vida dos estudantes, Já que são explorados, trabalham inseguramente, com medo, sem desejos, sem realizações, há muitos custos a serem faturados no final de cada mês.

    <as engana-se quem pensa que são eles os inimigos – a máquina opressora deste nosso estado invertido atinge a todos, sem excessão, nos sentimos todos explorados, trabalhamos e não temos, não podemos ter, não nos é permitido. Aliás, temos vergonha de possuir, não entendemos e nos foi tirado o espírito do "fruto do trabalho", temos muitos vagabundos políticos e seus doadores de campanha contradados para sustentar.

    E triste é saber que foram os próprios alunos, que com sua manifestação desastrosa e descoordenada acabaram por dar "um tiro no próprio pé", não souberam utilizar as mídias sociais como aliadas, foram massacrados pela opressão e pelos interesses das mídias econômicas, foi até covardia. Erraram feio ao invadir nesse contexto, não souberam "jogar" o jogo, e caíram na armadilha criada pelo reitor , pela PM e por todos os patrocinares e seus interesses implícitos.

    Não se combate violência e injustiça com violência e ilegalidade, se comabte com inteligência, debates e sim, paralizações: nada funciona, ninguém faz nada, mas nada mesmo – ninguém se mexe, ninguém se machuca.

    Pensem FORA da caixa, alunos da USP, vocês são uma das últimas camadas de inteligência que nos resta. Se unam, não se fragmentem. E não caiam nas ciladas armadas, o estado aprendeu com o passado, vcs pelo jeito, ainda não.

  26. Tiago Says:

    É bom lembrar que, de acordo com o art. 244 do Código de Processo Penal, a revista pessoal precisa ser baseada em fundada suspeita… a polícia ignora esse dispositivo diuturnamente, é verdade, mas daí a achar que se ela ignora essa regrinha quando faz batida na favela pode ignorá-la na universidade é uma inversão de lógica enorme. Não, revistar gente “por amostragem” não é legal, nem na favela, nem em saída de jogo, nem em universidade.

  27. Entendendo a ocupação da USP « Equipe Tenso Says:

    […] Vocês por acaso sabem como se elege um reitor da USP? Assim ó:  Ao contrário das outras grandes universidades públicas, como a Unicamp ou as federais do Rio, Mi… […]

  28. Maria Lúcia Says:

    Ao professor Pablo
    Adorei o artigo. Li algumas das respostas aqui postadas, mas confesso que me deu preguiça mental de acompanhar o debate…Algumas posições são simplesmente cansativas de tão reacionárias..Me dá preguiça do mundo com tanto argumento asqueroso. Mas entrei aqui pra dizer que teu texto é brilhante. Fiz minha dissertação de mestrado sobre o campus do fundão, porque queria entender porque a maior universidade do Brasil foi instalada naquele lugar horroroso e distante (isso foi na década de 80). Li muito sobre história das universidades no mundo, e é lugar comum o entendimento de que o espaço da universidade não pode ser policiado por um tipo de policial comum, que atua nas ruas da cidade. Historicamente sempre houve confrontos muito violentos entre estudantes e esse tipo de policiamento, porque a universidade é antes de tudo um lugar de reflexão sobre a realidade…Bem, enfim, não vou me extender…Apenas pra dizer que vc tocou no ponto central – não é esse o policiamento que deve existir num campus universitário.

  29. Maria A. Says:

    Gostei do texto do prof. Pablo, mesmo reconhecendo que ele pode não ser nem perfeito e nem ter todas as informações atualizadas. Porém, traz uma posição um pouco mais imparcial do que os berros, socos e pontapés de um lado e de outro dessa briga…
    Ajuda a enxergar por detrás dessa cortina de fumaça e ver que existem questões mais sérias a ser discutidas (administração democrática na Universidade).

    Queria dizer que não é porque eu estudo na USP que sei de todos os pormenores dos seus acontecimentos políticos, afinal tenho que estudar para me formar, trabalhar, cuidar dos filhos… enfim, me ocupar diariamente com outras coisas que não me deixam tempo para um maior envolvimento político.
    Por essa razão admiro o engajamento dos alunos que fazem tempo para discutir essas questões e se manifestar.

    Mas como muitas pessoas comentaram aqui, só sinto que a situação tomou essas proporções porque não se soube conversar e resolver isso de forma pacífica – dos dois lados. Quando um não quer, dois não brigam. Se apenas um dos lados estivesse sendo mais civilizado, não estava essa guerra patética. Lembremos de que o outro não é nosso inimigo.

    “Nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados e potestades do mal” (Efésios 6:12 – Bíblia cristã)

  30. Tiago Says:

    Então fumar maconha deixa de ser crime nos lugares que por excelência são da liberdade de expressão e discussão? Enquanto há pessoas sérias discutindo sobre as mudanças na lei os alunos se dão o direito a já terem a mudança da lei nas suas mãos? A maconha que eles fumam não já está financiando a violência?

    Os próprios aluno é que se colocam fora do jogo democrático civil optando por ir contra as regras do jogo democrático. Universidade é lugar de felexão, não de contravenção

  31. Reações a doença de Lula e à PM na USP evidenciam crise ideológica e cultural « Ficha Corrida Says:

    […] querem fazer crer. Como explica de forma detalhada o professor da USO Pablo Ortallado, em ótimo artigo, a violência na instituição está diretamente ligada a um processo de restrição cada vez maior […]

  32. Diogo Lima Says:

    Então na USP, que é um espaço democrático onde se exerce a liberdade as pesoas podem usar drogas para filosofar, depredar patrimônio público, desacatar policiais, invadir lugares?

    Porque os estudantes e trabalhadores da USP estariam além das leis do pais?

    Concordo que a polícia é muitas vezes mau preparada, mas na população geral, não só na USP! Quantas pessoas sofrem maus tratos pelas ruas da cidade? Quantos ja foram esculachados e humilhados, até mortos!!!

    Vocês realmente se acham melhores que os outros, arrogantes!!

    Essa discussão deve ir além dessa muralha de arrogancia, para toda a sociedade eu diria. Treinamento e educação decente para os policiais, é isso o que precisamos, não esse mimimi todo.

  33. Bruno M. Says:

    Caro Diogo Lima e tantos outros que tem dificuldade de reflexão crítica. Em primeiro lugar, o debate sobre “se na USP deve-se poder fumar maconha ou infringir as leis” não é o debate que os estudantes e muito menos o autor do texto está propondo.

    O debate está justamente no caráter anti-democrático de uma instituição que, sendo pública, deveria ser democrática por excelência (e não o é). Os alunos, os trabalhadores (da USP) organizados pelo sindicato, e diversos professores desta mesma instituição têm a clara reivindicação da necessidade de renovação da organização decisória e estatuto regimental desta Universidade.

    Dentro das inúmeras medidas tomadas por meios anti-democráticos na USP está o convênio com a PM.

    O Convênio fere a Universidade (e a democracia) em dois sentidos, o primeiro por ser resposta a um problema para o qual a comunidade universitária (Professores, Alunos e Funcionários, ou seja quem a frequenta) não foi consultada, muito menos estimulada a um grande debate (coisa que vem sendo realizada em grande medida pelos estudantes através de seus centros acadêmicos, de forma independente); e o segundo, por usar-se da Polícia Militar para resolver o problema da segurança no campus, que pelo seu caráter Militar, guarda diversas características não democráticas, como, por exemplo, estar submetida a tribunais Militares que julgam os cidadãos que trabalham como policiais de maneira diferente dos outros cidadãos, resultando em um alto índice de arquivamento (indevido) de casos de agressão policial (dentre outros crimes cometidos por cidadãos que servem o Estado como Militares). Vê-se que a Polícia, esta sim, não está submetida às leis como nós outros, e muitas vezes a infringe sem punição qualquer, ou punição diferenciada (minimizada).

    Não se trata de preparação ou de treinamento adequados, muito menos de índole ou moral do indivíduo que trabalha como Policial, se trata de toda uma estrutura não democrática ideologicamente não adequada à nossa sociedade, que espero, queiramos democrática (o que ainda não o é, apesar de muitos se enganarem com as aparências).

    Também é engraçado quando tentam acusar estudantes e professores de saudosistas, chamando à atenção para que o tempo da ditadura já se foi.

    Se este tempo se foi, por quê ainda temos uma polícia militar? (que não deveria cuidar de assuntos civis). Por quê, por exemplo, o regimento da USP é ainda aquele elaborado pela ditadura? Por quê o próprio reitor atual é um defensor daqueles tempos (quer erigir um monumento à revolução de 68, será ele mesmo um saudosista?)?

    Se tudo isto está diretamente ligado ao debate provocado pelos estudantes, não é nada estranho que o problema da falta de democracia no campus da USP não esteja subordinado ao ainda não concluso processo de democratização do Estado brasileiro.

    Quando os alunos propõem re-pensar os espaços de decisão da USP eles estão justamente propondo que as decisões sejam plurais, ou seja, que abarquem mais pontos de vista, mais interesses do que apenas um, o do reitor (ou o do Governador). Isso ao meu ver é diametralmente oposto à arrogância, e vai além da muralha das salas do Governador.

    Quando um grupo de pessoas defende que as decisões devem ser tomadas por mais pessoas e não por uma só, eses exatamente não acham que uma pessoa é melhor que as outras, mas que apenas no coletivo é possível que haja melhorias. Quem deve se achar mais inteligente que os outros é o Reitor Rodas e os Governadores de São Paulo por tomarem decisões importantes sem consultar ninguém. Isso sim é arrogância.

    A democracia só pode se dar em espaços realmente representativos, e a Reitoria e o Conselho universitário não o são. A universidade de São Paulo deve estar à serviço da sociedade e não dos caprichos de um burocrata reacionário. Propor uma instituição democrática (acredite ela não é) onde as decisões de seu próprio interesse são tomadas de forma transparente é a única solução contra a sua própria extinção. A USP é uma instituição recente, ainda não gerou nem parte dos frutos que pode gerar para nossa sociedade, tomara que os burocratas e varejistas do bem-público não a sabotarem antes disto.

  34. victor c. de oliveira Says:

    Caramba!
    Por que as pessoas contrarias a discussão, não param de retomar a questão da maconha? Será possível que não entenderam que não é esse o ponto e que ninguém ta querendo discutir isso ? Não percebem que quem esta sempre trazendo esse ponto são eles mesmo?

    Ainda criticam o texto e os comentários por serem bem construídos e argumentados. É mais do que esperado que as pessoas das humanas sejam capacitadas para isso. Tanto o texto como os comentários estão longe de serem incompreensíveis por quem não é da área, como eu e olha que não sei nada de latim. Isso é preguiça de ler parágrafos ao invés de umas poucas linhas. Se não conhece alguma palavra coloca no google e descobre, é sempre bom aumentar o vocabulário.

    Outra coisa assustadora é alguém achar que é bom que na USP se tenha o mesmos problemas do resto do país. Quer dizer que o melhor é nivelar por baixo? Que devemos reproduzir lógicas absurdos da nossa sociedade dentro do campus? De fato USP não pode ignorar os problemas do país, do mundo, e isso já é feito estudando-os e não reproduzindo-os internamente. É ótimo que exista um feudo no meio da barbárie, um lugar privilegiado, melhor seria poder expandir isso. E não estou defendendo os portões fechados, pelo contrario, esse lugar de exceção deveria ser acessível a todos. A USP não é como outro lugar qualquer e não deve ser tratada como tal e isso é bom.

    Sou aluno da USP e longe de pertencer a qualquer organização ou partido politico.

    Parabéns pelo texto

  35. Junior Says:

    O rafael está coberto de razão, isso que acontece no nosso pais é uma inversão de valores, como jovens ( que se dizem estudantes), acham que tem o direito de usar maconha indiscriminadamente dentro de um centro de ensino como a USP achando que tem esse direito!?
    vocês veem a policia como uma inimiga, mas quer sempre ela por perto quando tem alguma problema.
    com certeza uma revista pessoal pode ser constrangedora, mas ñ eh ilegal, tem seu artigo e todas as instituições que se encontram no artigo 144 da constituição federal não so podem como devem fazê-la quando acharem necessário, independente se é um negro, branco, indio, japonês. isso é um preconceito criado por vocês mesmos!
    querendo se colocar no lugar de vitimas.
    Além de depredarem um prédio público….
    Realmente se forem essas “cabeças pensantes” que farão o futuro do nosso pais o pior está por vir!

  36. Maria A. Says:

    Povo que continua mencionando a questão da maconha:
    Lembrem-se de que não é o uso da maconha que caracteriza o protesto de alunos e professores e nem é a legalização da maconha o que eles buscam conquistar.
    Não vamos generalizar o particular. A gestão da USP precisa ser feita de forma mais democrática e ponto. A presença de alunos que fumam maconha ali no meio não muda isso (e não defendo o uso da maconha aqui, também considero algo que na atual conjuntura apenas financia a violência e alunos da USP tem a obrigação de saber disso), e também não se pode chamar todos aqueles que protestam de “maconheiros”, porque isso não é verdade.
    Pensemos no problema mais importante, que é de todos nós, e não nas falhas daqueles que estão expostos à mídia. Isso é exatamente fazer parte da cortina de fumaça de que o autor do texto fala. Ficar se detendo nisso é acobertar o que realmente precisa de atenção e o que se busca discutir.

  37. Cristian Korny Says:

    olha, eu não acho correto que quem tem acesso à usp tenha acesso a um estado de bem-estar, e os demais da sociedade vivam uma vida insalubre e precária, quando esse mundo de fora dela resolveu surgir lá dentro, os intelectuais consideraram uma afronta, quero dizer, eu bem que preferia que o bem-estar de dentro da cidade universitária, em vez de desaparecer, fosse estendido para o restante da cidade, e quem sabe do estado, ou ainda do país, o que não foi feito, fizeram justamente o contrário, então prefiro que a comunidade usp prove um pouco dos subprodutos que ela constrói para o restante da sociedade, enquanto protege a si-mesma deles, assim, o chamado à responsabilidade é necessário.

  38. Reações a doença de Lula e à PM na USP evidenciam crise ideológica e cultural – Maurício Caleiro « Ágora Says:

    […] querem fazer crer. Como explica de forma detalhada o professor da USP Pablo Ortellado, em ótimo artigo, a violência na instituição está diretamente ligada a um processo de restrição cada vez maior […]

Leave a Reply

*